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Favoritos ganham no Porto, ou volta a haver surpresa?

Como costuma dizer Jorge Teixeira, diretor-geral de eventos da Runporto, só se sabe o que uma maratona é depois de a ter feito. É como um melão, do conteúdo só se tem a noção de depois de o abrir. E para uma meia maratona, se não for tanto assim, não se fica longe.

Por isso, cabe perguntar, a três dias da prova - serão os favoritos a ganhar na Invicta este domingo, 16 de setembro, ou como tantas vezes acontece em provas de fundo, os triunfos serão dos menos esperados? O momento de forma de cada qual significa muito, nesta altura de cruzamento entre o fim da temporada 2017/18 e início da de 2018/19.

Os tempos de cada atleta à partida têm importância, claro, mas não ganham provas. No entanto tem de se convir que esta 12ª Meia Maratona do Porto Sport Zone está bem-dotada de atletas de elite, em especial nos homens. Três deles possuem recordes pessoais abaixo da hora, outros sete já fizeram menos de 1h01m. Já no lado feminino, pelo menos em termos teóricos, há uma favorita única, na figura da queniana Sharon Cherop.

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Voltando aos homens, o detentor do melhor tempo de entre os inscritos é o ugandês de 29 anos de idade Geofrey Kusuro, com 59m43s, marca feita em Ostia (Itália) em 2015. Ele foi 11º nos Mundiais da distância, em 2014, e sem dúvida é experiente e capaz. Titu Mbishei, do Quénia, tem o segundo melhor tempo de partida, com 59m55s, obtido em Valência há quatro anos, mas na única meia maratona que fez em 2018, em Espanha, acabou com um modesto resultado de 68m02s. E logo a seguir, em termos de marca pessoal, vem o etíope Jida Imane Merga, com 59m56s, obtidos na Great North Run inglesa de 2012. Merga foi medalha de bronze nos 10.000m dos Mundiais de 2011, em Daegu, ano em que se sagrou campeão mundial de crosse, é de facto um fora de série, mas pode acreditar-se com verosimilhança que o seu melhor já tenha passado.

Entre os 60 e 61 minutos teremos, então, sete atletas: os quenianos Shadrack Kiplagat (60m06s este ano), Shadrack Korir (60m07s em 2017) e Marius Kimutai (60m07s, também em 2017), o eritreu Goiton Kifle (60m20s em 2014), e outros três quenianos, Abraham Kasongwor Akopesha (60m25s em 2015), Samuel Ndungu Wanjiku (60m55s em 2011), e Kikemoi Kiprono (60m56s este ano, em Lisboa).

Provavelmente sairá deste lote de sete o vencedor. Shadrack Kiplagat conseguiu aos 40 anos de idade já feitos (!), a sua melhor marca pessoal em Praga, a 17 de abril passado, com o quinto lugar, e continuando a mostrar boa forma depois do segundo lugar na meia maratona de Nápoles, a 4 de fevereiro (60m34s), antes de ir obter um quinto lugar na corrida de Gotemburgo, Suécia, a 19 de maio (62m46s). É um sério candidato. Shadrack Korir e Marius Kimutai, além de terem recordes pessoais iguais, obtiveram-nos ambos em 2017, Korir no princípio do ano, Kimutai com o seu segundo lugar no Porto, a um segundo do triunfo. Quem sabe se ele desta vez leva de todo a melhor...aos 26 anos Kimutai ainda é um jovem, e também é uma grande maratonista, com um máximo pessoal de 2h05m47s conseguido no final de 2016 em Amesterdão, e já com 2h07m45s este ano, a 18 de março em Seul, onde acabou em quarto. Outro grande candidato, pois.

Korir, no entanto, tem tido um bom ano, com três meias maratonas até 61m31s. Goiton Kifle foi segundo na meia maratona de Lisboa (Ponte Vasco da Gama) do Outono passado, mas este ano veio à Maia para um a prova de 10.00om e o resultado foi pobre - décimo em 29m13,09s.

Fica uma nota ainda para outro queniano, Kikemoi Kiprono, que estabeleceu o seu máximo pessoal em Lisboa, a 11 de março passado, com 60m56s, num 11º lugar

Do lado português avultam as presenças de Rui Pedro Silva, José Moreira, e Hélder Santos (todos do Sporting CP), Daniel Pinheiro (Águias Alvelos), Carlos Costa (CDS Salvador do Campo), Ricardo Pereira (A. Jardim da Serra), Jorge Santa Cruz e Mihail Lalev (os dois do SC Braga) e Artur Rodrigues (GDC Guilhovai). O objetivo credível para os melhores de entre eles será o de atingir o top-ten, algo que não sucedeu o ano passado, dado que José Moreira foi o melhor luso, no 15º lugar.

No lado feminino, e em termos de nome, a queniana Sharom Cherop está milhas à frente de todas as demais. Aos 34 anos de idade já foi terceira em Mundiais na maratona, em Daegu 2011, no seu melhor ano até agora, dado que meses antes fora terceira na maratona de Boston e estabelecera em Nova Deli, Índia, o seu corrente recorde pessoal na meia maratona, com 67m08s.

Cherop viria a ser segunda na maratona de Berlin de 2013, com o seu melhor tempo de sempre (2h22m28s), esteve na meia maratona de Lisboa no Outono passado, sendo quinta, e este ano acabou em quarta na meia maratona de Paris, a 4 de Março (68m22s), no mesmo lugar na maratona de Roma, a 8 de Abril (2h29m36s) e ganhou, a 22 do mesmo mês, a maratona de Eldoret , em altitude no Quénia, com uma marca fantástica para as circunstâncias de 2h29m57s, que levanta a questão de saber se a distância estaria correta. Seja como for, deverá apresentar-se em condições de defender o seu favoritismo teórico.

As principais rivais da queniana deverão ser as suas compatriotas Joy Kemuna (69m02s este ano, em Venlo, na Holanda), e Susan Jeptoo (também 69m02s, mas o ano passado, em Lille), a etíope Sofiya Shemsu Chegem (71m50s em Lisboa, a 11 de março passado), a colombiana Kellys Arias (71m21s em 2016) e a ugandesa Juliet Chekwel (71m46s em 2017). Chekwel, de resto, tem tido um bom ano de 2018, obtendo o quarto lugar nos Jogos da Comunidade Britânica nos 5.000m, e o sétimo nos 10.000m, distância em que é a recordista nacional com 31m37,99s, desde 2016.

Do lado português Mónica Silva será a figura maior, dentro de uma temporada com excelentes resultados a nível das corridas populares, e ela será acolitada pelas sportinguistas Susana Godinho e Diana Almeida. O ano passado Mónica Silva foi décima, tendo na ocasião Carla Salomé Rocha sido a melhor lusa, em sexto lugar.

Em homens e mulheres, duas provas a não perder, no próximo domingo.

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